Por: Lais Gomes
Chegamos em 2025 com uma série de expectativas em relação à economia global. Embora seja impossível prever com precisão os rumos que o futuro tomará, as tendências e os desafios que surgem atualmente já oferecem pistas do que podemos esperar nos próximos anos. A interconexão global, marcada pela aceleração das tecnologias e pelas tensões geopolíticas, promete transformar a dinâmica das relações econômicas internacionais, com potenciais impactos tanto para países desenvolvidos quanto para economias emergentes.
Uma das grandes questões que dominará a economia global em 2025 será o legado da pandemia de Covid-19. Apesar de muitos países estarem se recuperando, os efeitos colaterais continuam a ser sentidos. A crise revelou as vulnerabilidades das cadeias de suprimento globais, acelerou a digitalização e trouxe à tona a necessidade de um crescimento mais sustentável. Neste contexto, é provável que o mundo busque um modelo econômico mais resiliente, que equilibre inovação com responsabilidade ambiental e social.
A transição para fontes de energia renovável será um dos motores dessa transformação. O aquecimento global e os compromissos assumidos nas conferências climáticas, como a COP26, fazem com que as nações reforcem suas metas de redução de emissões. Economias que investirem pesadamente em tecnologia verde terão vantagens competitivas, e novas indústrias, como as de hidrogênio verde e veículos elétricos, devem crescer de maneira exponencial.
Não podemos falar sobre a economia internacional sem considerar o papel das grandes potências, especialmente a China. Em 2025, a gigante asiática deve continuar a desafiar o domínio dos Estados Unidos nas esferas econômicas e tecnológicas. A relação entre as duas superpotências será um dos maiores fatores de incerteza. A disputa por liderança no campo da inteligência artificial, 5G e biotecnologia pode resultar em novas barreiras comerciais e, possivelmente, em uma reconfiguração das alianças econômicas globais.
Ao mesmo tempo, a ascensão da China e de outras economias emergentes, como Índia e Brasil, deverá reconfigurar o mapa da produção e do comércio mundial. A multipolaridade, que vem ganhando força, significa que o eixo das decisões econômicas se expandirá além dos tradicionais centros ocidentais, alterando dinâmicas e estratégias de investimento.
Outra mudança de impacto será a aceleração da automação e da inteligência artificial. Com a quarta revolução industrial em pleno andamento, 2025 será um ponto de inflexão para os mercados de trabalho e as indústrias. A automação não afetará apenas os setores tradicionais de manufatura, mas também áreas como serviços financeiros, saúde e educação. A inteligência artificial será cada vez mais integrada ao processo produtivo, aumentando a eficiência, mas também provocando disrupções no emprego.
Nesse cenário, a educação e a requalificação da força de trabalho serão fundamentais. Países que investirem em capacitação para os novos postos de trabalho — especialmente os ligados à tecnologia e à sustentabilidade — estarão melhor posicionados para aproveitar as oportunidades dessa transformação. No entanto, a adaptação de sistemas educacionais globais à nova economia será um desafio.
O comércio internacional, que foi profundamente impactado pela pandemia, está em um processo de recuperação, mas com novas configurações. A crescente adesão a acordos comerciais regionais e a diminuição do multilateralismo no comércio, especialmente após as tensões comerciais e as políticas protecionistas de vários países, pode mudar a face das relações comerciais em 2025.
A reconfiguração das cadeias globais de valor será uma tendência crucial, com empresas buscando fontes de suprimento mais próximas para reduzir riscos e custos de transporte. Este fenômeno poderá resultar na reintegração de algumas indústrias nas economias locais, mas, ao mesmo tempo, intensificar a competição entre países por investimentos e tecnologia.
A digitalização da economia também será uma tendência marcante em 2025. O comércio eletrônico, as fintechs e a transição para uma economia cada vez mais virtual são fenômenos que devem se intensificar, com a expectativa de que as criptomoedas, as moedas digitais de banco central e outras inovações financeiras revolucionem o mercado financeiro.
Além disso, a tecnologia blockchain pode transformar a maneira como os contratos e as transações são realizados, oferecendo maior transparência e segurança. Embora os desafios regulatórios e de adoção ainda existam, a digitalização promete aumentar a eficiência econômica e criar novos mercados, além de democratizar o acesso a serviços financeiros em várias regiões do mundo.
O ano de 2025 promete ser um período de muitas transformações, com avanços tecnológicos e geopolíticos gerando tanto oportunidades quanto desafios. A economia global, interconectada como nunca antes, será moldada por uma série de fatores — desde a reconstrução pós-pandemia até o impacto das novas tecnologias. Contudo, a incerteza permanece um ingrediente constante. O mundo será cada vez mais interdependente, mas também mais competitivo, e a capacidade dos países em se adaptar rapidamente a essas mudanças será crucial para determinar seu sucesso no futuro econômico global.
Com resiliência, inovação e uma gestão cuidadosa das tensões geopolíticas, podemos esperar que a economia internacional de 2025 seja mais dinâmica e diversa, mas também mais imprevisível e desafiadora. A chave será aprender a navegar nesses tempos de transformação constante.